Serviços ecossistêmicos

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Por Marcus Eduardo de Oliveira
O sistema econômico, dentro da visão neoclássica, enxerga a natureza como mera externalidade.
Serviço ecossistêmico é um termo criado em 1981 por Paul e Anne Ehrlich, da Universidade de Stanford, relacionado às seguintes funções: 1) Regulação (clima, inundação, erosão); 2) Suporte (cultivos, recreação); 3) Produção (água, oxigênio); 4) informação (valor estético, cultural).
Qual a finalidade maior dessa noção? O propósito maior reside na busca da sustentabilidade, organizando produção e consumo segundo a disponibilidade de oferta desses serviços, tendo em conta que a biosfera – de onde provém matéria e energia para o funcionamento da economia – é limitada, frente ao atendimento das necessidades humanas ilimitadas.
A primeira condição para se alcançar o propósito mencionado é reconhecer que o modelo de crescimento praticado pelas economias mais avançadas, que faz da produção e do consumo eixo central do dinamismo econômico, encontra-se completamente esgotado.
O esgotamento desse modelo econômico, dada a crescente degradação ambiental, é notório: não se pode crescer (aumentar a produção econômica) indeterminadamente em espaços (meio ambiente) cujos limites (ecológicos) são visíveis.
O que a economia global mais tem feito nos últimos tempos? Tem ultrapassado as fronteiras ecossistêmicas. A prova disso? Hoje, para o atendimento das necessidades humanas, usa-se um planeta e mais 40%, ou seja, em outras palavras, o planeta está sendo estressado em 40%.
O mais grave disso é que esse modelo, ao romper os limites ecológicos, compromete, sobremaneira, os processos sustentadores da vida.
O que leva a essa específica ocorrência? A “necessidade” em atender níveis de consumo cada vez maiores; para isso, põe-se a “máquina de produção econômica” para trabalhar a todo vapor, sugando e esgotando os recursos da natureza numa velocidade assustadora, sem espaço para a capacidade de reposição dos elementos ecológicos que dão suporte à produção da economia.
Os números que conformam essa “máquina de produção econômica” são assustadores: a economia saiu de um PIB global de US$ 4,5 trilhões, em 1950 para, 50 anos depois, atingir US$ 50 trilhões.
De 2000 para cá, o PIB mundial cresceu em mais US$ 25 trilhões. Percebe-se isso no excesso de produção para “alimentar” a boca voraz do consumo humano. De acordo com o relatório “O Estado do Mundo” (elaborado pelo Worldwatch Institute), em 2008 foram vendidos no mundo 68 milhões de veículos, 85 milhões de refrigeradores, 297 milhões de computadores e 1,2 bilhão de telefones celulares.
O consumo da humanidade em bens e serviços saiu de US$ 4,9 trilhões, em 1960 (calculado em dólares de 2008); para US$ 23,9 trilhões (1996), chegando em US$ 30 trilhões (2006) e, em US$ 41 trilhões, em2012.
O conjunto de todos os ecossistemas da Terra é de ordem finita, e isso é incompatível com um acentuado crescimento físico da economia. Essa “máquina de produção econômica” fere sensivelmente os sistemas ecológicos.
Agrava-se essa situação o fato de o sistema econômico, dentro da visão neoclássica que predomina, apenas enxergar a natureza como mera externalidade.
No linguajar da economia, externalidades são efeitos laterais, externos, de uma decisão sobre algo que não está participando. Uma externalidade ocorre quando há consequências para terceiros que não são tomados em conta por quem toma a decisão.
Em que pese consagrados autores do pensamento econômico terem externado substancial importância aos processos e elementos da natureza como condição indispensável para a produção econômica, o fato é que a economia tradicional não trata com o devido valor os processos ecológicos.
Lamentavelmente, a economia tradicional nunca deu o devido valor à natureza, posto que, principalmente, não reconhece ser dependente das condições ecológicas.
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(*) Professor de economia do UNIFIEO e da FAC-FITO (São Paulo). Mestre em Integração da América Latina (USP). [email protected]. (Do Dom Total)

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