A natureza não pode esperar

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Quem já esteve na Chapada Diamantina tem certeza da existência de Deus. Sua beleza natural chama a atenção. Sua fauna e flora, ricas, diversificadas e até certo ponto únicas – destacando-se suas orquídeas e seu manancial aqüífero – chamam a atenção e hoje atraem os olhos do mundo. Mas, como dado negativo, temos percebido que a agressão ao ambiente vem também aumentando e é preciso ações rápidas, coerentes e pragmáticas para que não percamos um patrimônio que a natureza decidiu dar de presente à Bahia.
Quem chega hoje a Piatá, Abaíra, Lençois e tantas outras regiões da Chapada Diamantina, questiona a voracidade do turismo, que por mais controlado que seja deixa suas pegadas de destruição. Sem falar que produtores rurais, mesmo tendo consciência dos danos ao meio-ambiente, ainda praticam métodos de preparo da terra e plantação danosos, como as queimadas que todos os anos se espalham e dizimam a fauna e a flora, com reflexos incalculáveis.
Também a Chapada sofre com a ação de empresas que exploram a venda de pedra bruta, minerais e, claro, areia para a construção civil. Recentemente, visando preservar o patrimônio natural da Chapada Diamantina aconteceu a Conferência Estadual do Meio Ambiente, em sua etapa territorial, na cidade de Seabra. Temas como as queimadas, o período prolongado de seca, questões como educação ambiental voltada ao turismo sustentável e a proteção dos recursos hídricos da região foram debatidos.
Representantes do governo estiveram por lá e foi destacada a urgência a adoção de um processo inteligente de gestão ambiental. Continuamente. Ficou patente a necessidade de se consolidar o processo de reformas políticas por parte dos municípios, estado e federação, além de maior desempenho das organizações que militam na base.
Conforme foi debatido pelos envolvidos no evento, é hora de ações políticas. Propostas não faltam. Também se questionou a adoção de um processo de participação maior dos agentes públicos e evolução das políticas ambientais. Problemas que poderiam ser minimizados hoje representam uma agressão ambiental, como por exemplo, a falta de áreas adequadas para destinação dos resíduos sólidos.
No próximo dia 31 de julho Salvador terá a Conferência Estadual e tudo voltará a ser discutido e pelo que se viu ou se soube no último encontro na Chapada, muita coisa boa advirá, face à consciência cada vez maior dos segmentos envolvidos na proteção aos recursos naturais da região. E a natureza não pode esperar. A natureza agora tem pressa.
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Vitor Carvalho
Ambientalista e diretor da Retec

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