A seca é uma das mostras da agressão ambiental

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Mais de 80 por cento dos municípios baianos e um número considerável de regiões brasileiras passam por um longo período de estiagem. O clima se inverte e mesmo o Sul do país já há bastante tempo vem observando paisagens que antigamente só pertenciam ao nordeste. Parece castigo de Deus mas não é.
O problema é causado pelo homem em sua sanha produtiva. Desde os anos 60 do século passado que especialistas vêm chamando a atenção para o efeito estufa, mas as soluções são adotadas de forma demorada e os problemas vão se acumulando. Com isso sofrem os moradores das regiões atingidas e o governo tem de arcar com os prejuízos e no final das contas quem está pagando somos nós mesmos. Uma conta que tem tudo para se tornar indigesta a longo prazo.
Por exemplo, agora mesmo o Governo Federal está liberando quase 3 bilhões de reais para que os sertanejos tenham melhores condições de conviver com a seca. Um ponto é a antecipação do Garantia-Safra com benefício de R$ 680,00, divididos em cinco parcelas. Muitos agricultores familiares, nos municípios que aderiram ao programa e que perderam ao menos 50% da produção já receberam. Resolve-se o problema de forma superficial. O custo é alto.
Uma Operação Carro-pipa, por exemplo, conta com mais de 3 mil veículos para levar água às áreas e cidades mais afetadas e o valor deste operação é inestimável. O governo vai construir 111 mil cisternas para armazenar água dos caminhões-pipa e das chuvas. Até o final do ano, serão 290 mil cisternas construídas. O Bolsa Estiagem paga, aos agricultores familiares que não aderiram ao Garantia-Safra, R$ 400,00 divididos em cinco parcelas. Dinheiro necessário, mas que trata o problema de forma superficial.
A questão da seca no Brasil é secular. O próprio imperador Pedro II certa vez garantiu que colocaria as jóias da coroa para ajudar a resolver o problema. Mas este só fez aumentar. Sabemos que a seca é algo cíclico, mas que vem se tornando mais perigosa graças à “ajuda” que o homem tem dado quando agride o meio-ambiente. As mudanças climáticas são provas claras de que as autoridades têm que deixar a timidez de lado e fazer boas leis para evitar que a agressão ao meio-ambiente continue. E que devemos retirar a cabeça do buraco e olhar de frente a questão ecológica. Chega de papo furado.
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Vítor Carvalho
Ecologista e diretor da Retec

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