Autoridades globais destacam ações de Salvador contra a crise climática

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As ações de sustentabilidade, resiliência e preservação do meio ambiente promovidas por Salvador nos últimos seis anos e meio foram elogiadas por autoridades internacionais durante o Painel Salvador Mudança do Clima, que abriu a Semana do Clima da ONU nesta segunda-feira (19), no Salvador Hall, na Paralela. O prefeito ACM Neto e o vice Bruno Reis, dentre outros gestores municipais, estiveram presentes. Na ocasião, também foi assinado o Termo de Compromisso de Neutralização do Carbono do evento.

Nos discursos do prefeito e do secretário municipal de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência (Secis), foi feito um histórico das ações que vem sendo implementadas desde 2013 e que tem resultado em um impacto positivo na vida da população. Dentre elas estão a implantação de programas como o Salvador Vai de Bike e Morar Melhor, requalificação e modernização da Defesa Civil(Codesal), criação de novos parques e áreas verdes e políticas públicas como a Estratégia de Resiliência, dentre outras iniciativas.

James Grabert, diretor da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC), entidade que organiza o evento ao lado da Prefeitura ressaltou que as mudanças climáticas são um dos maiores desafios da atual geração e que é necessário haver uma interseção entre Estado e cidadãos. “Nesse sentido, precisamos enfatizar o papel das cidades como lideranças e maior participação dos cidadãos. Salvador está tendo esse papel de liderança e se mostra como exemplo a ser seguido”, pontuou.

O primeiro-secretário para assuntos ambientais da Embaixada da Alemanha, Lutz Morgenstern, agradeceu por Salvador abrir as portas para a realização das discussões sobre o clima e acredita que o painel pode tornar mais acessível aos cidadãos aos informações sobre o assunto. “A intenção é de alavancar métodos inovadores no desenvolvimento e implementação das ações de enfrentamento às mudanças climáticas. Queremos que as cidades sejam ainda mais sustentáveis para o futuro”, disse.

União – Ao relembrar os desafios enfrentados pela Holanda – país que fica abaixo do nível do mar e que, com isso, acabou se tornando referência na busca por soluções sustentáveis e de preservação da vida dos cidadãos -, o embaixador do país, Kees van Rij, lembrou que a capital baiana também pode ser afetada pelo aquecimento global, com o aumento do nível do mar.

“Isso leva a questões que já afetam a cidade, como as chuvas torrenciais que trazem impactos para a população, e todos precisam estar preparados para essa situação”, afirmou. Ele acredita, ainda, que as cidades sozinhas não conseguem fazer esse enfrentamento, e que a solução é atuar em rede.

O diretor regional do C40 (Grupo de Grandes Cidades para Liderança do Clima), Manuel Olivera, alertou que é uma emergência mundial enfrentar com vigor as mudanças climáticas. Para isso, é necessário implementar protocolos e investir em energia eficiente e limpa, com impactos positivos para o meio ambiente e população.

Alerta ao Brasil – A programação da manhã prosseguiu com o painel “Impacto da Mudança do Clima no Brasil”, do climatologista brasileiro Carlos Nobre. Na ocasião, foram demonstrados os impactos das mudanças climáticas no país, principalmente nos temas saúde, áreas urbanas, Amazônia, semiárido e agricultura. Além disso, o cientista destacou a importância e quais deveriam ser as atitudes do Brasil para cumprir os compromissos do Acordo de Paris.

“Nós estamos vivendo uma situação semelhante a dos EUA vem vivendo desde 2017, de que o governo federal vai em uma direção e os governos estaduais em outra. O que estamos observando no Brasil é uma adesão até maior dos governos estaduais para a continuidade da pauta do Acordo de Paris do que nos EUA. Aqui, cerca de 23 governos estão comprometidos em continuar com o acordo, então temos que torcer para que a federação funcione e consiga vencer essa fase difícil”, informou.

Ele ainda acrescentou como as mudanças climáticas já estão impactando o país. “O Brasil é um país tropical, de altas temperaturas e umidade, ou seja, mais vulnerável ao aumento de temperatura. A nossa agricultura está em uma faixa de clima quase no limite e, se continuar esse processo, o Brasil vai perder a liderança nessa área”, destacou Nobre.

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