Carros: Uma ideia para tirar a frota velha de circulação

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A fim de reduzir a poluição e emissão de gás carbônico produzida pelos veículos automotores na França, cidades como Paris, Lyon, Nice e Bordeaux, a partir de agora, 2014, não mais permitirão a circulação no setor urbano de veículos com idade superior a 17 anos. Esta medida reterá de circulação cerca de 10,7 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motos.
A medida está sendo vista como discriminatória, pois privará cidadãos desprovidos de maior capacidade de renda da circulação nos centros urbanos, já que não possuem recursos para compra de veículos mais novos.
Para os propositores da medida, os carros antigos (com idade superior a 17 anos) não possuem tecnologia retentora de poluentes e só agravam a situação de congestionamento por quebras e emissão crítica de poluentes.
Não obstante o valor da discussão, a medida está em fase de adaptação para ser implantada e estará sendo cumprida, ainda que sob protestos, tal qual a decisão interna em São Paulo que revolta motociclistas pela obrigatoriedade de cursos e instalação de equipamentos de segurança em suas motos.
O critério aplicado na França considerou a quantidade de partículas finas esperadas para cada categoria ou segmento da frota, concluindo-se pela idade média definida em 17 anos. O projeto é federal mas caberá às prefeituras a fiscalização e a autuação, quando incidente.
Para se ter uma ideia do que uma medida semelhante poderia causar de impacto em nosso país, basta considerar o tamanho da nossa frota acima de 16 anos: seriam hoje aproximadamente 9,3 milhões de veículos deixando de circular nos centros urbanos do País, e só em São Paulo seriam 1 milhão a menos de veículos.
A medida causaria impacto social contrário, por ser uma medida que afetaria a vida de muitos que dependem de seus veículos para chegar ao local de trabalho ou estudo. Claro ainda que comparar as estruturas de transportes públicos de São Paulo e Paris não seria muito justo, já que por lá a população é melhor servida em solução de transportes.
Apenas para registro, enquanto Paris é atendida por 213 km e 300 estações de metrô, São Paulo possui 74 km e 62 estações. Paris oferece 149 mil vagas de estacionamento em ruas, enquanto São Paulo oferece 36 mil. Em Paris há oferta de aluguel de 23 mil bicicletas públicas, enquanto em São Paulo esse número não chega a 600.
A medida em implantação por lá pode demorar a ser implantada por aqui. Mas um dia chegará e talvez mais cedo do que se possa pensar. Caberá às autoridades a implantação da legislação com sabedoria, que contribua com a sociedade no geral, tanto pelo lado da preservação ambiental quanto pelo lado da busca por melhores soluções de transporte para nossa população.  Texto: Sérgio Duque (Revista Mercado Automotivo)

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