Embalagens mais ecológicas influenciam compra para 93%

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No Brasil, 93% dos consumidores consideram marcas com embalagens ambientalmente responsáveis no momento de decisão de compra. É um salto enorme. Há dois anos, apenas 40% das pessoas tinham esse critério.

A procura por selos de sustentabilidade está aumentando. Mais da metade dos compradores brasileiros (58%) os procuram nas embalagens quando adquirem bebidas e 35% reconhecem o selo FSC® (Forest Stewardship Council, que certifica cultivo, manejo e extração de madeira adequados, do ponto de vista social e ambiental). O selo é fundamental para as embalagens de papel.

Esses são alguns dos dados de uma pesquisa global encomendada pela Tetra Pak em 15 países. Foram ouvidas 7.500 pessoas, 500 por país, com idades de 18 a 65 anos.

Além do Brasil, foram pesquisados França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Estados Unidos, México, Japão, Índia, Tailândia e China.
O objetivo foi identificar hábitos de consumo, oportunidades de mercado e de inovação e desafios para as embalagens. A pesquisa é feita a cada dois anos pela Ipsos.

Comparativamente, os que mais indicam preocupação com o meio ambiente são os indianos, seguidos dos mexicanos, chineses e depois os brasileiros.

Perguntados sobre quem deve liderar a busca de melhorias e soluções, os entrevistados apontam em primeiro lugar o governo, em segundo as companhias de bebida e comida, em terceiro as companhias de embalagens, seguidos de consumidores, administração municipal, comerciantes e ONGs.

A responsabilidade pelas gerações futuras e o sentimento de “fazer algo de bom” pela comunidade são os principais fatores que determinam escolhas ambientais.

No Brasil, 86% das pessoas estão preocupadas com questões ambientais. O acesso à água, a poluição e o lixo plástico nos oceanos, o desflorestamento são os temas muito urgentes para os entrevistados.

Já fazem parte do vocabulário da maioria das pessoas os conceitos de reciclável (80%), biodegradável (70%), sustentável (67%) e renovável (66%). A ideia de economia circular só é compreendida por 1% dos consumidores brasileiros.

Coleta seletiva e redução do desperdício de alimentos são os temas mais citados. E apesar de menos da metade dos consumidores declarar que separa os resíduos para a coleta seletiva (48%), a maioria (73%) acredita ser possível mudar de hábitos pensando nas futuras gerações.

Em 2017, eram 56% os que diziam ser possível mudar para deixar um planeta melhor para quem vem depois.

A falta de informação é a razão da dificuldade para mudar para hábitos mais sustentáveis (42%), mas 49% fariam isso com o objetivo de contribuir com a comunidade em que vivem.

O preço dos produtos ambientalmente corretos é barreira para 43% do público —21%, no entanto, estão dispostos a pagar mais caro por eles.

Segundo Valéria Michel, diretora de Economia Circular da Tetra Pak para as Américas, houve evolução no consumo mais consciente, comprovado pelo grande número de pessoas que declaram que a sustentabilidade das embalagens condiciona a compra. Um outro exemplo seria a preocupação com os selos, que era de 47% há dois anos e hoje é de 54%.

Para ela, a dificuldade de obtenção de informação apontada por 42% é motivo de alerta, mas, ao mesmo tempo, já aponta caminhos para as empresas.

“Estamos considerando diversificar os canais de informação, criando campanhas diferentes, chegando ao rádio. E como as mídias sociais são os canais mais usados para informações ambientais sobre embalagens (o que também foi apontado na pesquisa), estamos fortalecendo essa comunicação com mais postagens, simplificando a maneira de explicar, pois existe muita dúvida”, conta.

Entender quais são os termos mais consolidados também é informação valiosa, diz Michel. “É recomendável adequar o vocabulário”, afirma.

No ano passado, a empresa lançou uma nova face nas embalagens de diferentes marcas de leite com informações sobre a cadeia de reciclagem da empresa.

A campanha se Uma Caixinha de Distância traz depoimentos de vida de quatro representantes de cooperativas do programa Rota da Reciclagem (www.rotadareciclagem.com.br). O conteúdo é acessado ao escanear um QR Code nas embalagens.

A Tetra Pak reciclou 73 mil toneladas de embalagens em 2018, um crescimento de quase 20% em relação a 2017, quando foram reprocessadas 61 mil toneladas. A taxa de reciclagem do ano passado foi de 29,1% e deve bater os 30,7% neste ano, segundo Michel.

“Se considerarmos que o serviço é em grande medida voluntário, pois depende da entrega do próprio consumidor, é um índice bastante alto”, afirma a diretora. “Nossa meta, claro, é engajar todos os pontos da cadeia”.

As embalagens da empresa são decompostas em papel (75%), plástico (20%) e alumínio (5%). A reciclagem começa na indústria papeleira, onde são drenadas as fibras.

O papel resultante vem sendo usado para telhas de fibrocimento, que tiveram aumento de consumo após a proibição do amianto, toalhas de papel e caixas.

A mistura de alumínio e plástico também é usada para fabricação de telhas plásticas. O plástico sozinho é usado para a confecção de pallets, cadeiras e, ultimamente, composteiras.

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