Inpe rebate ministro do Meio Ambiente sobre monitoramento da Amazônia

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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, publicou uma nota em que rebate as declarações do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre imprecisão no monitoramento do desmatamento na Amazônia, feito com um sistema do instituto. Em nota, o Inpe afirmou que monitora constantemente a qualidade dos produtos e os resultados mais recentes indicam um nível de precisão superior a 95%.
A mais recente declaração de Salles sobre o assunto foi dada em uma entrevista ao jornal Folha de S. Paulo de terça-feira (15). Em entrevista à rádio CBN, cujo conteúdo foi reproduzido em reportagem do G1, ele disse em dezembro que os dados do desmatamento no país são genéricos.
Na última entrevista, o novo ministro falou sobre as metas à frente da pasta e citou a meta de zerar o índice de desmatamento na Amazônia. Sobre isso, questionou a suficiência do mapeamento feito pelos sistemas do Inpe.
Salles alegou que o satélite mapeia a área da Amazônia por imagem, mas que a captação pode ser prejudicada se, por exemplo, houver uma nuvem em cima da área. Ele afirmou que caso isso ocorra, o local onde a nuvem está não é processado e então a análise do local é baseada em uma porcentagem do que foi captado.
Ele apontou também que o sistema do Inpe não faz a separação do que é área de preservação de mata, propriedade rural, se está legal ou ilegal. Para ter eficácia, Salles disse que a intenção é contratar satélites estrangeiros.
Na nota publicada, o Inpe rebateu as alegações de imprecisão. O texto explica como funciona o mapeamento. Cita que são três sistemas em ação hoje no programa que acompanha o desmatamento: o Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) e o sistema de mapeamento do uso e ocupação da terra após o desmatamento, TerraClass.
O Inpe explicou ainda que a estimativa do desmatamento sob nuvens corresponde em média a apenas 5% da taxa calculada pelo sistema.
“Para as áreas onde a cobertura de nuvens não permitiu o mapeamento, é feito um cálculo que estima a área desmatada sob nuvem, usando a hipótese de que a proporção da ocorrência de desmatamento em áreas sob nuvens é igual a das áreas não cobertas por nuvens”
Sobre o Prodes, que separa as áreas entre desmatadas e com cobertura vegetal, o Inpe rebateu a fala do ministro, que apontou que a ferramenta ideal para o monitoramento seria o Terraclass. O Inpe explicou que dados obtidos pelo Prodes são depois processados pelo TerraClass, que faz a classificação do uso das áreas acima de 6,25 hectares
“Com os resultados do TerraClass é possível fazer uma avaliação da dinâmica do uso e ocupação dessas áreas, nas classes mapeadas pelo projeto (agricultura, pastagens, regeneração entre outras)”.
Ao blog da Andreia Sadi, ao G1, na quinta-feira (17), Salles já havia manifestado a intenção de utilizar um novo sistema para monitorar o desmatamento. A ideia era contratar um sistema de satélite para monitorar, além dos desmatamentos, a seca e a situação de queimadas – que hoje também é monitorada pelo Inpe. O custo anual do sistema seria de R$ 100 milhões ao ano e os recursos viriam do Fundo da Amazônia.
Na nota, o texto ainda reforça que monitora a qualidade das imagens produzidas e que mantém os dados abertos, não só para o governo, mas para a academia e organizações independentes, o que possibilita diversidade de análises e acompanhamento do desmatamento. O Inpe ainda reforçou que faz o mapeamento da área com comparativos de evolução do desmatamento desde 1988.
“A política de transparência dos dados, adotada pelo Inpe desde 2004, permite o acesso completo a todos os dados gerados pelos sistemas de monitoramento, possibilitando avaliações independentes pela comunidade usuária, incluindo o governo em suas várias instâncias, a academia e a sociedade como um todo”, diz trecho do documento.
A nota termina sinalizando que o Inpe acompanha as inovações científicas e tecnológicas na área de observação da Terra por satélite, para a constante melhoria de seus sistemas de monitoramento da Amazônia, e, desde 1972, coordena um curso de pós-graduação em sensoriamento remoto com o mais alto conceito da Capes”, concluiu o Inpe.
Governo
O G1 procurou o ministro, por meio da assessoria de imprensa do Ministério do Meio Ambiente, para comentar o assunto e aguarda o retorno.
*Do G1

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