Lixo: a ameaça ao meio ambiente

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Um dos desafios para a preservação do meio ambiente é resolver uma questão: o que fazer com o lixo? De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a produção diária de lixo nas cidades brasileiras chega a 150 mil toneladas. Desse total, 59% vão para os aterros e apenas 13% são reaproveitados. Essa supergeração gera uma sobrecarga nos sistemas públicos de disposição de lixo e tratamento de resíduos.
A produção de lixo tem como consequência a liberação de gases que promovem o efeito estufa e a poluição das águas subterrâneas e superficiais. Esse fenômeno é uma das consequências do aumento populacional nas cidades, da intensificação do modelo consumista, do uso de produtos descartáveis, além do modismo, pois existe uma “necessidade” de se adquirir objetos mais modernos –o que ocasiona o descarte de produtos antes do término da validade.
O lixo é também um problema socioeconômico, visto que grandes quantias de dinheiro são destinadas à coleta e tratamento do lixo urbano. No aspecto social, vários indivíduos são afetados pela concentração de lixo nas cidades, que causam proliferação de insetos, transmissão de doenças, poluição visual, entupimento de bueiros, entre outros.
Para o especialista em Saneamento Urbano e Gestão de Resíduos do Amazonas, Paulo Farias, a solução para o problema do lixo, hoje, passa pela redução individual da geração de resíduos. Ou seja, diminuir o consumo. “A população é constantemente estimulada a consumir. Diante desse quadro, há a necessidade de se estimular o consumo consciente e o hábito de se reaproveitar produtos e apostar em produtos reciclados”, avaliou.
Conscientização
A conscientização pode ser feita através da utilização da Política dos 3 R’s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. A coleta seletiva é uma das alternativas mais eficientes para reduzir o lixo, além de ser uma forma de contribuir para os catadores de materiais recicláveis. Portanto, através de simples atitudes e mudanças de comportamento todos os habitantes podem colaborar para reduzir a produção de lixo.
Em Manaus, a Prefeitura Municipal mantém as atividades de coleta seletiva em 12 bairros da cidade e possui grupos de conscientização que percorrem ruas comerciais, mercados, feiras e eventos, levando informações e abordando a importância da participação popular na limpeza da cidade e, consequentemente, na preservação ambiental.
Para atuar dentro das comunidades, a administração municipal criou, em 2010, a Cedolp (Comissão Especial de Divulgação e Orientação da Política de Limpeza Pública), vinculada à Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza Pública), cuja função é justamente fazer a educação ambiental da população. “A Cedolp é hoje o departamento mais importante da Semulsp, porque está preparando tanto a população quanto os catadores para uma mudança de comportamento em relação à geração de resíduos”, afirmou Adriano Rodrigues, gerente de Articulação Comunitária de Manaus.
Com poucos membros, esse grupo segue determinação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS – lei nº 12.305/2010) com a exata função de levar orientação e educação ambiental a todos os segmentos sociais. “O trabalho é feito porta a porta. Visitamos um bairro, centro comercial, órgão ou instituição (geralmente a pedido) munidos de informações visuais, dados e até mesmo com teatro e música para falar da coleta seletiva e da proteção do meio ambiente”, explicou o gerente.
Cultura do consumismo
Essas iniciativas, no entanto, esbarram em hábitos culturais muito arraigados –já que a civilização vive do desperdício -e também em interesses econômicos, uma vez que grande parte da indústria se voltou para a produção de coisas descartáveis É o caso dos celulares, por exemplo. Por que são lançados a todo momento novos modelos, cada vez mais sofisticados?
Trata-se de uma estratégia das indústrias para incentivar o consumidor a trocar de aparelho com frequência e, assim, consumir mais. Na verdade, o marketing moderno já desenvolveu até um conceito -o de obsolescência programada -que significa justamente criar coisas que rapidamente se tornem ultrapassadas e precisem ser substituídas por modelos mais recentes. Reduzir e reutilizar, então, contrariam o próprio modo de organização econômica da sociedade em que vivemos.

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