Lixo que caiu de contêineres atinge o Refúgio de Alcatrazes

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Unidade de Conservação Marinha foi atingida pelo resíduo caído de contênieres. Foto: Fiscalização/ICMBio.
As mercadorias que caíram de 46 contêineres em Santos chegaram no Refúgio de Vida Silvestre de Alcatrazes, em São Sebastião, santuário marinho que virou Unidade de Conservação há um ano. Esse é o primeiro acidente ambiental que atinge o arquipélago desde que a área protegida foi criada, em agosto de 2016. A empresa responsável pela embarcação foi multada em 10 mil reais.
A constatação foi feita por analistas ambientais do Instituto Chico Mendes (ICMBio), órgão responsável pela gestão da unidade, na última quinta-feira (24). As condições do mar não permitiram que a equipe, liderada pela analista ambiental Edineia Caldas Correia, pudesse desembarcar na ilha principal, mas possibilitou ver e fotografar resíduos (que vão de lembrancinhas natalinas, porta-retrato e potes de plásticos a escovas de dente e embalagens de produtos) espalhadas pela região do Saco do Funil, a enseada que fica na parte norte da ilha de Alcatrazes. Edineia é coordenadora de proteção do núcleo de gestão integrada que integra a Estação Ecológica de Tupinambás e o Refúgio de Vida Silvestre de Alcatrazes. A gestão das duas unidades são feitas pela mesma equipe.
“A gente autuou porque encontramos lixo no Refúgio e esse lixo pode causar impacto sobre a fauna da área protegida”, explica a analista ambiental, em entrevista por telefone a ((o))eco. Ainda segundo a Edineia, o que mais preocupa é a possibilidade de ingestão de plástico pela fauna. “Boa parte do lixo que encontramos são aquelas bolinhas de natal que vem em saquinhos plásticos. Achamos muitas bolinhas soltas e saquinhos vazios. Aquele tipo de plástico é muito ingerido por tartarugas, por exemplo. Vemos muito em necrópsia a comprovação de tartarugas mortas por ingestão de sacos plásticos. A mesma coisa acontece com a avifauna, com o agravante que as aves costumam levar esses materiais pros ninhos”, explica.
O auto de infração foi lavrado com base no artigo 90 do Decreto Federal n° 6.514/08, que dispõe sobre infrações ambientais. Perguntada se já sabia se o resíduo chegou no santuário marinho, a empresa Log In Logística Intermodal Ltda afirmou, via assessoria de imprensa, que não havia sido notificada “sobre possíveis resíduos no Refúgio de Alcatrazes”. A equipe do ICMBio esclarece, em nota, que a empresa é notificada via Correios e como a sede é no Rio de Janeiro, o comunicado depende do tempo de serviço da estatal. A Log-in tem 20 dias após o recebimento da notificação para se defender do processo administrativo. O Ministério Público Federal também será informado sobre a autuação, para que avalie medidas cabíveis que possam ser tomadas na esfera judicial.
A equipe do ICMBio está esperando as condições marítimas melhorarem para realizar novas vistorias no Refúgio e averiguar possíveis impactos sobre o ecossistema protegido.
Acidente
Na madrugada do dia 11 de agosto, 46 contêineres caíram no mar em Santos, enquanto o navio Log-in Pantanal aguardava liberação para desembarcar a carga no Porto de Santos. A empresa culpa a ressaca pelo acidente. Dos 46 contêineres, 18 haviam sido achados até quarta-feira da semana passada.
O Ibama está monitorando o acidente e recebe um relatório diário da limpeza das praias e dos procedimentos para retirar os contêineres do mar.
Joia ambiental completa um ano
O Refúgio de Vida Silvestre de Alcatrazes foi a primeira Unidade de Conservação criada no governo Temer. A luta para proteger Alcatrazes durou quase três décadas. No dia 03 de agosto de 2016, um decreto assinado pelo presidente da República assegurou 67 mil hectares para a posteridade.
As comemorações do primeiro ano do Refúgio, que seriam realizadas na próxima quinta-feira (30) incluiriam uma assinatura do termo que garante a visitação pública na área e uma visita ao arquipélago. O evento foi adiado, não pelo acidente, mas por causa da dificuldade de aliar as agendas dos ministros Sarney Filho, do Meio Ambiente, e Raul Jungmann, da Defesa.
Alcatrazes era usada para treinamento de tiro da Marinha e só virou Refúgio da Vida Silvestre após a força armada anunciar a paralisação do treinamento de tiro na ilha de Alcatrazes e apoiar publicamente a criação de uma área protegida no local, por isso, o ICMBio faz questão da presença do ministro da Defesa no seu aniversário de um ano. Se possível, sem plástico e bolinhas de natal poluindo a paisagem (e a fauna marinha).

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