“Lixões” trazem riscos para os aeroportos

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O despejo irregular de lixo nos denominados “lixões” pode trazer prejuízos fatais para o setor aéreo. Esses locais atraem aves, que ampliam os riscos de colisão com aeronaves. Segundo dados do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), foram aproximadamente 10 mil colisões no espaço aéreo brasileiro entre 1996 e 2012.
Para reduzir eventuais acidentes, foi criada a lei 12.725/2012, que delimita em 20 quilômetros o espaço ao redor do aeródromo a ser protegido. “A história da aviação tem diversos registros com acidentes fatais provocados por colisões com aves”, explica Shailon Ian, engenheiro aeronáutico formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e presidente da Vinci Aeronáutica.
Um caso recente se transformou em filme, estrelado por Tom Hanks. Um Airbus A 320 caiu no Rio Hudson, nas proximidades da Ilha de Manhattan. A aeronave colidiu com um bando de aves sobre a cidade de Nova York. “As colisões com aves podem ser ainda mais trágicas quando envolvem aeronaves menores e helicópteros. Em muitos casos, o piloto sequer tem tempo de adotar qualquer procedimento”, aponta o especialista.
No Brasil, o Risco de Fauna é uma área da Biologia responsável pelos estudos de identificação e gerenciamento dos riscos causados por aves à segurança do voo. “Leva-se até um ano para identificar os animais que habitam o entorno do aeroporto, quais áreas ao redor da pista são atrativas para cada espécie e que risco cada uma delas traz para a segurança aeroportuária”, explica o Biólogo Giuseppe Puorto, membro do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT e MS).
Somente depois de concluído o levantamento e identificadas quais espécies oferecem algum risco é que são definidas e adotadas as medidas mais adequadas para cada caso. Para diminuir a entrada de animais nos aeroportos podem ser feitas ações de manejo indireto, em que o ambiente é modificado para que não seja favorável à atração de diversas espécies, como também fazer uso de pirotecnia, dispositivos sonoros e falcoaria. “Essa última é uma técnica já bastante utilizada em vários aeroportos do mundo, como Nova Iorque e Madri”, diz o Biólogo. Por aqui, ela também é utilizada nos aeroportos do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Belém, Vitória e Joinville.

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