Ministério da Ciência vai monitorar impacto de mudanças climáticas

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O governo federal instituiu um sistema de monitoramento dos impactos das mudanças climáticas no Brasil a fim de dar “subsídios aos tomadores de decisão para ações de adaptação”.

A iniciativa é do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, assinada pelo ministro substituto, Julio Semeghini, e publicada nesta terça-feira (31) no Diário Oficial da União.

Batizado de ImpactaClima, o sistema será uma plataforma que deverá “consolidar, integrar e disseminar informações que possibilitem o avanço das análises e o monitoramento dos impactos da mudança do clima observados e projetados no território nacional”.

Conforme a portaria, o Ministério do Meio Ambiente não tem participação obrigatória, mas será convidado a contribuir com o Comitê Gestor do ImpactaClima, assim como o Ministério do Desenvolvimento Regional.

O Comitê Gestor será formado por representantes de três órgãos: a Coordenação-Geral do Clima, do Ministério da Ciência, o Centro de Ciência do Sistema Terrestre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa.

A função do comitê será pôr o ImpactaClima em funcionamento, planejando e avaliando metas para implementação e manutenção do sistema, obtendo recursos financeiros, propondo parcerias com instituições de pesquisa nacionais e internacionais e deliberando sobre quais tipos de dados serão divulgados na plataforma.

Ainda de acordo com a portaria, o comitê será provisório, até que o ImpactaClima esteja desenvolvido.

A questão das mudanças climáticas não é consenso entre integrantes do governo de Jair Bolsonaro. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, declarou várias vezes ser contrário ao “alarmismo climático” e disse que as mudanças climáticas são um “dogma marxista”.

O governo não quis realizar a COP-25 (Conferência do Clima da ONU) no Brasil. No evento, promovido no início deste mês em Madri, o Brasil foi o principal país a bloquear o artigo 6 do Acordo de Paris, que trata da criação de um mercado de carbono para incentivar ações de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Para desbloquear a negociação, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pediu dinheiro para o Brasil em reuniões bilaterais.

Bolsonaro já ameaçou deixar o Acordo de Paris, a exemplo dos Estados Unidos, mas voltou atrás. Recentemente, o presidente chamou a ativista sueca Greta Thunberg, que tem ganhado destaque na luta contra os efeitos das mudanças climáticas, de “pirralha”.
*Da Folha

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