O poder do mito e a mentira científica

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Por Eduardo P. Castanho Filho (1)
A recente COP- 21 em Paris foi saudada como se fosse a redenção para o futuro da Terra. Até que enfim, quase 200 países do mundo chegavam a um consenso do que fazer para reverter o clima terráqueo. Partiu- se da premissa que reduzindo a queima de carbono fóssil a atmosfera do Planeta, principalmente a temperatura, fique com um aumento de no máximo 2ºC até 2050.
A “mídia” tratou o assunto como se não houvesse dúvidas a respeito e que a questão estaria equacionada. Compraram o fetiche de bom grado e grandes ganhos.
Como conseguiram determinar tamanha precisão nas previsões? Quem respaldou essa barbaridade foi o establishment científico atual representado pelo IPCC. Na época de Galileu Galilei era a Igreja com a sua Inquisição. Com Darwin era a Academia Inglesa, o que, no entanto, não impediu que haja criacionistas até hoje em dia. Parecem ser “chutes científicos”. A “certeza”, avalizada pelo IPCC hoje oscila em torno de 95% de que o aquecimento é antropogênico. O processo de confronto da teoria com as observações poderá, eventualmente, provar justeza ou a falsidade da teoria em pauta. No caso de ser falsa, há que eliminar a teoria, e procurar outra para explicar o fenômeno em análise.
Não existe cientificamente nada que garanta que se houver uma redução do consumo de combustíveis fósseis nos níveis propostos será possível manter a temperatura terrestre em mais dois graus. É evidente que poderá ser maior ou menor, porque uma boa parcela da comunidade científica que estuda e pesquisa o clima não está convencida da causa antropogênica.
Pelo contrário, entendem que as causas são “naturais”- sol, oceanos, albedo, e que a relação entre Carbono na atmosfera e temperatura é inversa ao que o IPCC propala: o Carbono é consequência e não causa da temperatura. Além disso, as relações entre temperatura, concentração de CO2 e outros gases do efeito estufa, acrescidos de vapor d’água na atmosfera, têm efeitos controversos sobre o aumento ou a redução da umidade, da pluviometria e dos níveis de absorção de radiação solar pelas diferentes coberturas da superfície da Terra (agricultura, cidades, florestas, desertos, geleiras e da reflexibilidade da terra- albedo) apresentam resultados muito diferentes, dependendo dos estudos que são feitos e os locais onde são feitos.
Além disso, os modelos em que essas previsões foram calculadas não conseguem incluir todas as variáveis relacionadas ao clima, até porque inevitavelmente muitas delas são desconhecidas, o que faz com que sejam incompletos e instrumentos apenas de pesquisa e estudos acadêmicos. Vários trabalhos científicos mostraram que eles não funcionam: precisam de “ajustes” para chegar às conclusões pretendidas. E não funcionam como equação- quando instados a reproduzir os dados do passado a partir de suas previsões não o conseguem.
Lembraram recente polêmica causada pelos modelos falhos empregados em medições e reproduções de Reinhart& Rogof em relação à “dívida pública & crescimento econômico”, que apresentou a conclusões inversas das divulgadas, por mau uso do modelo, já que os dados utilizados não permitiam as conclusões a que os autores chegaram.[2]
É óbvio que o incentivo econômico trazido pela Conferência é muito grande e bem vindo: serão quase um trilhão de dólares anuais para a substituição dos combustíveis fósseis o que, de certa forma, esmaece o poder econômico de um “lobby” petroleiro.
A redução de consumo pretendida será muito benéfica para o planeta, mas não por causa de um pretenso aquecimento antropogênico.
Em termos ambientais a Humanidade já conseguiu destruir habitats; reduzir a disponibilidade de água; criar ilhas de dejetos no mar; extinguir espécies; desertificar extensas áreas de terra; secar lagos e mares; esterilizar solos, poluir mananciais, criar aberrações genéticas, porém, não há nenhuma prova de que seja capaz de alterar o clima em termos planetários- os modifica em termos locais como são as ilhas de calor da grandes áreas urbanizadas, por exemplo.
Mais ainda, se é que de fato exista aquecimento climático antrópico, ele não é resultante do CO2 das atividades agropecuárias e silviculturais. E, ainda, se as florestas estiverem em homeostase significa que elas são neutras para CO2 e para oxigênio, não tendo nenhum papel num eventual aumento ou redução desses gases na atmosfera.
Há aproximadamente 30 anos a tese do aquecimento começou a se fortalecer e foi baseada em medições que indicavam um aumento da concentração de determinados gases na atmosfera. No entanto, essa hipótese gerou dúvidas desde o princípio. É óbvio e salutar que a teoria científica seja sempre conjectural e provisória. Acrescente-se a isso princípios de ordem ética, como a questão da honestidade intelectual, quando é imperativo reconhecer os erros.
A “luta” ambientalista de vários anos foi pela sustentabilidade, apesar de utilizar-se de outros nomes. Ela visava controle e/ou eliminação da poluição, formas limpas e renováveis de energia, padrões diferentes de comportamento e consumo, uso de tecnologias mais adequadas ao ambiente natural, preservação das variadas formas de vida, restrição ao uso de recursos naturais finitos, reciclagem, reaproveitamento, etc.
Subitamente o CO2 surgiu como responsável pelo aquecimento e a questão do clima se transformou num poderoso catalisador da luta ambiental, arrebatando corações e mentes. Teorias conspiratórias à parte transformou-se o CO2, gás responsável pela vida na Terra, em “poluição”.
A redução das emissões é importante pela redução da poluição, bem como pela preservação de recursos naturais finitos através do emprego das energias renováveis E tecnologias adaptadas. A queima do petróleo e do carvão não é nociva apenas por um questionável efeito no aquecimento, mas por poluir, por exemplo, através do enxofre, provocando chuva ácida, que acaba matando florestas e esteriliza biologicamente cursos d’água, pelos elementos particulados e pelo esgotamento de um recurso finito, que poderia amanhã estar sendo usado para a produção de alimentos, através de sínteses. A utilização desenfreada de outros recursos naturais não renováveis insere-se no mesmo padrão.
A redução dos desmatamentos e das queimadas, a adoção de técnicas sustentáveis pela agricultura, o aumento de produtividade das pastagens, o incremento das áreas florestais, a proteção da biodiversidade e de recursos hídricos, e assim por diante, são compromissos que devem ser assumidos porque apontam para um mundo mais equilibrado e mais sustentável, transitando de ecossistemas simples para os de maior complexidade.
A forma simplista de atribuir à agricultura e à pecuária grande parcela de responsabilidade pela emissão de gases efeito-estufa é fruto do desconhecimento completo de como se processam essas atividades. Colocar os efeitos de queimadas, no mais das vezes criminosas, como emissão de gases pela agropecuária é, sem dúvida, anti científico e intelectualmente desonesto.
É primordial que se atente o olhar sobre as atividades agrícolas que são as únicas ações humanas que captam carbono da atmosfera e o transformam em fibras, alimentos, energia, etc. Fazem o papel que os antigos fisiocratas conferiam ao setor: é o único que produz, enquanto os outros apenas transformam. No cômputo geral, mesmo que um provável aquecimento global se devesse também às atividades humanas, o papel da agropecuária nesse processo seria desprezível.
[1] Engenheiro Agrônomo, pesquisador científico sênior do Instituto de Economia Agrícola/Sec. Agr. S. Paulo.
[2] Trabalho que teve grande repercussão durante a crise de 2008/9, elaborado por dois economistas norte americanos, relacionando os efeitos da austeridade em políticas fiscais, com o crescimento. Em 2013 outros economistas demonstraram que o trabalho era falho já que os dados utilizados no modelo matemático não suportavam as conclusões originais.

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